cloração é o método mais antigo e amplamente utilizado nos sistemas de tratamento de água no processo de desinfecção devido a sua disponibilidade, baixo custo e ação residual.

É uma etapa de suma importância para garantir que a água esteja isenta de microrganismos relacionados às doenças de veiculação hídrica.

O cloro, sendo um potente oxidante, quando adicionado a água, reage com o hidrogênio da molécula da água, liberando oxigênio, e por consequência, promove a morte das bactérias por oxidação.

Os coliformes pertencentes ao grupo das bactérias, são encontrados em altas concentrações na matéria fecal de animais de sangue quente como cães, bovinos, suínos e humanos. Apesar de sua alta presença no ambiente, a maioria das bactérias coliformes não causam doenças em seres humanos, mas existem algumas que podem ser infecciosas.

Os coliformes totais são bactérias que auxiliam no trato gastrointestinal de homens e animais, sendo inofensivas e necessárias ao sistema digestivo.

Já os coliformes termotolerantes (fecais) e especificamente a Escherichia coli são extremamente perigosas a saúde humana quando encontradas nos alimentos e na água.

Para que ocorra uma ação eficaz do cloro promovendo a quebra (lise) nas moléculas das bactérias, é necessário que o cloro ou qualquer outro desinfetante esteja em condições favoráveis, tais como: concentração adequada, tempo de contato, temperatura e a relação entre quantidade de contaminação versus concentração de desinfetante.

Na portaria de consolidação nº 5 (2017), na tabela do Anexo 4 do Anexo XX existe uma correlação do tempo de contato a ser observado para a desinfecção por meio da cloração, de acordo com concentração de cloro residual livre, com a temperatura e o pH da água. É importante observar estes itens para que se tenha uma cloração mais eficiente.

Além disso, o cloro reage com outros tipos de contaminantes (metais, matéria orgânica, sais, amônia, nitratos, nitritos e sulfetos) o que reduz consideravelmente sua ação desinfetante para a oxidação das bactérias. As bactérias se agregam a matéria orgânica o que dificulta sua remoção e os processos de desinfecção.

No H2O Laboratório seguimos métodos oficiais como o Standard Methods, ISO e EPA para a realização dos ensaios de coliformes totais, termotolerantes e Escherichia coli (E.coli)

Nas metodologias oficiais para o ensaio de coliformes, as amostras devem ser coletadas em frascos estéreis contendo preservante tiossulfato de sódio que elimina o cloro existente na água o que possibilita o crescimento bacteriano caso alguma bactéria ainda esteja presente na amostra. O uso deste preservante se faz necessário, pois se a amostra apresentar alguma contaminação, esta possa ser detectada no ensaio, não permitindo que o cloro residual gere um resultado falso negativo.

Portanto a etapa de cloração nas estações de tratamento de água proporciona a desinfecção e não a esterilização da água. Isto significa que microrganismos não patogênicos podem sim resistir ao processo de cloração e estar presentes na rede de distribuição da água.

Desta forma, conclui-se que é possível uma amostra de água conter cloro residual e ainda apresentar contaminação por coliformes ou outros tipos de bactérias.